quinta-feira, 25 de agosto de 2011

dias de seca

Depois de dias de chuva em que o Verão se intimidou perante a recuperação da economia e deixou as trevas pairar sobre nós, tal qual como a livre mão da economia paira, o Sol desperta e explode em calor por vezes abrasador.
Mas desta vez é tarde, demasiado tarde para recuperar, dizem-nos as nuvens que a miúde e sem medo vão continuando a palmilhar o céu da praia e do campo pedonante.
É ver e ouvir dias solarengos admitir que também eles são da chuva e do negrume, apesar de todo o seu resplendor, apesar do seu Amor(IM) ao dourado do sol. apetece-me dizer: viva o proletariado que enriquece e que se torna num comunista utópico em comunista efectivo e divide o lucro por igual entre si e mais ninguém.
A chuva de Março continua a deixar tudo pelo caminho, em especial a chuva de Março que em 2003 assolou a Mesopetâmia, que agora se repete entre o Mediterrâneo e o Sahara, passando por gasodutos e beduínos.
Parece que esse grande metereoligista que foi o Bismarck tinha razão. Por vezes dividir para reinar não serve, será melhor unificar para reinar.
Os Srs do ouro negro cada vez mais se concentram e monopolizam e por cá... por cá o unificação do esforço no proletário é palavra douta e dogmática.
Que venha o Renascimento e o Verão com ele, que de trevas está o povo farto.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

Águas de Março

Já não chove em Cracóvia, mas em Lisboa, por contraste cai uma carga diluviana e, janela aberta a deixar-me invadir pelo cheiro da terra prenha de chuva, deixo-me me levar por pensamentos melancólicos de fim de verão.


Até breve, 

JA de VCG e S

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pechinchas

As mulheres adoram Nós adoramos comprar roupa, mais a mais se for uma pechincha. Encher os armários de casa com trapinhos de meia-dúzia de euros. Gasta-se pouco e anda-se mais feliz e melhor enfarpelado. Acontece que se gastamos pouco e se o dono da loja não anda de 4L, o custo tem de vir de algum lado. Notícias vindas hoje a lume confrontam-nos com esta realidade. Ao que parece num fornecedor do grupo inditex (Zara, Pull & Bear, etc.) foi descoberto trabalho semi-escravo. A inditex já se veio retratar e que vai a correr colaborar com as autoridades brasileiras e que vai ter mais cuidado a escolher os parceiros e o diabo a sete. Acontece que este filme já foi visto, nomeadamente noutras multinacionais do vestuário e calçado (por sinal  não tão baratas), e continuará a ser visto enquanto a pressão da procura por parte dos consumidores ocidentais se for repercutindo ao longo da cadeia de abastecimento até chegar à mão-de-obra terceiro-mundista. Por muita indignação que, posteriormente, notícias destas a verdade é que é assim que funciona a engrenagem do mundo tal o conhecemos. Como dizia o Adam Smith, não há almoços grátis, mas há muita, muita hipocrisia. A próxima vez que encontrar roupinha baratucha lembre-se das condições em que foi produzida. A próxima vez que entrar numa "loja dos chineses", tente imaginar as condições em que os artigos baratuchos lá encontrados foram produzidos. A próxima vez que se queixar do comércio que fecha aos domingos e feriados, ao contrário dos "chineses", lembre-se que o próximo a ficar sem descanso pode ser você. A próxima vez que ouvir um Presidente da República ou um ministro da economia falar em conter os custos do factor trabalho lembre-se que Portugal tem um perfil de exportações que assenta na parte mais baixa da cadeia de valor e pense que o que na realidade o que estão a dizer é que você devia ganhar o mesmo que  estão a ganhar o chinês ou boliviano equivalente.

Cordialmente,

JA de VCG e S

sábado, 6 de agosto de 2011

enquanto dormias

De regresso às palavras, e mais especificamente às palavras com sentido e não às palavras sentidas (não que estas não sejam sentidas, mas são mais racionais.. ora, vocês percebem).
Depois de umas férias ocupadas entre festivais de música, viagens de avião à capital de nuestros hermanos e viagens de carro eixo Santo Aleixo - Lisboa - Praia das Maçãs, onde não dei ouvidos nem olhos a notícias e desnotícias, reparei que pouco tinha mudado, vejamos:
1. Os combustíveis continuam a subir
2. Os impostos subiram, directamente ao subsídio de natal
3. A assembleia vai de férias
4. Os argumentos da nova oposição são os mesmos da antiga oposição
5. As caras novas da Assembleia são poucas
6. A NOVIDADE: o BPN foi vendido (hurrah)
7. momento WTF: vendido por tuta e meia, e o Estado (eu e restantes concidadãos) paga as custas de 1\2 dos trabalhadores que serão despedidos
8. O Comander & Chief do BIC é o Mirra Amarral... AAAHHHH, nada de novo, então.

Bem, entre o ponto 5 e 8 assustei-me, mas depois reparei que afinal de contas, neste país dos 3 F continua tudo na mesma.
Meu rico Portugal e portugalidade, o 5º Império nunca será cumprido, Oh Pessoa!

Injustiças

Li algures esta semana que os presos em Itália não poderão continuar a usar roupas de marca, tipo Versace ou Giorgio Armani. Curioso igualmente a primeira frase dessa notícia que dizia qualquer coisa como "ataque aos direitos humanos nas prisões em Itália" seguido umas linhas abaixo da expressão de indignação de uma esposa que alegava que o marido teria que andar de cuecas na prisão porque só tem roupa de marca nas gavetas.
Depois de dias de reflexão, confesso que não consigo perceber onde está a violação dos direitos humanos....

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Fátima, Futebol, Fado

Passados quase 40 anos da instauração de um regíme democrático no nosso país, devo confessar que me faz alguma espécie que, quando temos algum assomo patriótico seja a esta troika bafienta que recorremos para exaltar o amor-próprio pátrio. O exemplo mais recente é o videozinho abaixo. 


Obra de uma agência de comunicação não identificada (pelo menos que eu saiba) e na linha de um outro video que à tempos surgiu para tentar meter na linha os sacanas dos finlandeses que andavam a querer lixar a malta, este agora, em mais um assomo de patriotismo neo-indignado propôe-se mandar a Moody's à Moody, dando a conhecer a esses energumenos do rating que Portugal tem muita e boa coisa de que se pode orgulhar, desafiando, à má fila, os senhores do rating a atribuir um dito cujo rating a tudo de bom que Portugal possui. E pergunto eu: Que tem assim Portugal de tão especial que possa atirar à cara desses gringo? Nem mais nem menos do que a serenidade de Fátima, altar do mundo, o carisma sensual de Mourinho, o gajo especial de corrida e, last but not least, a Srª Dª Amália, coitadinha, que já depois de falecida se tem que prestar a estes preparos.

Não sei se sou só eu, mas isto soa-me tanto a patriotismo bacoco scolariano que tresanda. Já sei que falar coisas como estas me traz muitos epítetos, dos quais "antí-patriótico" é o mais simpático. Não me importo, prefiro ser patriota da maneira mais difícil, sem bandeirinha na janela, mas com o país no coração.

Como disse desconheço a agência responsável, mas seja lá quem for deve ter mais cuidado com os criativos que emprega, é que qualquer dia arrisca-se a ter um processo por plágio metido pelos descendentes de António Ferro.

É tudo

J.A. de VCG e S.